Expedição monitora avifauna na área de proteção ambiental das reentrâncias maranhenses

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3/06/2026

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) realizou, no período de 20 a 31 de maio, a primeira expedição de monitoramento das aves da Área de Proteção Ambiental (APA) das Reentrâncias Maranhenses. A atividade foi coordenada pela Superintendência de Biodiversidade e Áreas Protegidas da Sema e contou com a parceria da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) Campus Caxias, por meio do Laboratório de Ornitologia, e apoio das prefeituras e secretarias municipais das cidades visitadas.

O objetivo foi identificar áreas estratégicas para o monitoramento de aves na unidade de conservação, abrangendo os municípios de Alcântara, Guimarães, Cedral, Porto Rico do Maranhão, Cururupu, Apicum Açu e Luís Domingues.

Para a supervisora de Estudos e Projetos Aplicados à Conservação da Sema, Margareth Marques, esta primeira expedição, além de prospectar áreas para o monitoramento da avifauna, gerou informações que irão contribuir para a conservação da biodiversidade da região.

“Ao percorrermos diferentes municípios identificamos espécies e reconhecemos áreas de maior ocorrência de aves, são dados essenciais para subsidiar ações de gestão, planejamento e proteção da unidade de conservação, além de fortalecer a parceria entre o órgão gestor da unidade de conservação, universidades e municípios, unindo conhecimento científico e gestão pública”, explicou.

A expedição concentrou suas atividades no monitoramento de aves florestais e limícolas, grupo de grande importância para a conservação dos ambientes costeiros. Durante o trabalho, foram instalados gravadores autônomos para monitoramento acústico das espécies e realizadas observações diretas de aves costeiras.

A ornitóloga e pesquisadora, Surama Pereira, ressaltou as condições ideais das reentrâncias maranhenses para a alimentação, reprodução e descanso de várias espécies de aves residentes e migratórias. “Anualmente inúmeras espécies de aves migram da América do Norte e central para a costa maranhense, utilizando como pontos de repouso e alimentação”.

Para a pesquisadora, monitorar a avifauna na costa maranhense é essencial para compreender a dinâmica dos ecossistemas costeiros, detectar impactos ambientais precocemente e embasar estratégias eficazes de conservação. “O conhecimento sobre a diversidade de aves pode subsidiar políticas públicas de conservação, apoiar a criação e gestão de unidades de conservação e promover práticas sustentáveis junto às comunidades tradicionais que dependem diretamente dos recursos naturais locais, a avifauna também tem grande potencial para o ecoturismo e a educação ambiental, fortalecendo a valorização do patrimônio natural da região”, concluiu.

Entre os registros realizados destacam-se espécies classificadas como criticamente ameaçadas na lista estadual de fauna ameaçada como o maçaricão, maçarico-rasteirinho, maçarico-de-costas-brancas e batuiruçu-de-axila-preta. Também foram registradas espécies características da costa maranhense, como guarás, colhereiros, fragatas, trinta-réis e garças, além de aves florestais como o tucano-de-papo-branco, gavião-caranguejeiro, surucuá-de-barriga-amarela e tangará-príncipe.

A APA das Reentrâncias Maranhenses abriga uma das áreas costeiras mais importantes do Brasil, reconhecida pela extensa área de manguezais, elevada produtividade biológica e importância para aves migratórias e espécies ameaçadas de extinção.

A iniciativa integra as ações de monitoramento da biodiversidade desenvolvidas pela Sema na APA das Reentrâncias Maranhenses e conta com o apoio do Projeto GEF Mar, voltado ao fortalecimento da gestão e conservação dos ecossistemas marinhos e costeiros.