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Deputados acolhem debate sobre encíclica ecológica

08/07/2015

O mundo recebeu no último mês um alerta importante do papa Francisco sobre as graves consequências da falta de ação global em relação à mudança do clima. Com a encíclica Ladauto Si [Louvado Seja] – sobre o cuidado da casa comum, o Papa deu um recado claro aos céticos da interferência humana no agravamento das mudanças climáticas.

Nesta quarta-feira (08), foi a vez do Parlamento receber esse aviso. Dom Leonardo Steiner, secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), apresentou a carta durante evento da Frente Parlamentar Ambientalista e reforçou a responsabilidade de todos com o cuidado da natureza. “Como diz o papa Francisco, a Casa Comum é o espaço onde vivemos e devemos cuidar, e onde todos os povos podem sentir-se em casa”, defendeu dom Leonardo.

Para o secretário geral da CNBB, a carta do papa defende uma relação que tenha como fundamento a ética e a responsabilidade, e contesta o pensamento antropocêntrico e egocêntrico, que retira da natureza tudo o que está a seu dispor. “O documento pode nos ajudar muito a refletir e estabelecer outra relação com a natureza e as pessoas. Está na hora de passarmos da dominação, do consumismo e da exploração, que estão destruindo a Terra, para uma atitude de cuidado e cultivo”.

Segundo dom Leonardo, a encíclica já vinha sendo pensada pelo papa Francisco nos últimos anos, e é inspirada no Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis – proclamado em 1979 pelo papa João Paulo II como “Padroeiro dos Ecologistas”. “E é primeira vez que um papa faz uma encíclica sobre questões ambientais, falando da responsabilização do governo e das comunidades internacionais e da necessidade de uma conversão ecológica”, disse o bispo.

O superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil, Jean François Timmers, concorda que o papa Francisco é um revolucionário. Para ele, a encíclica é um documento histórico de porte universal que está chamando atenção do mundo para um holocausto ambiental.

 “A carta já está sendo utilizada como um documento político, que extrapola a Igreja Católica e a cultura ocidental. O papa Francisco está fazendo um alerta a todas as nações ao destacar como ponto central a relação dos diversos setores da sociedade com a Terra. Ou seja, se nós continuarmos com o modelo econômico atual dificilmente vamos conseguir evitar uma catástrofe ambiental”, destacou Timmers.

O superintendente avalia que ainda existe o enorme desafio de se conseguir um acordo climático para a redução das emissões de carbono em um nível aceitável para a continuidade da existência de todas as civilizações. “E nada garante que nós vamos conseguir um acordo climático concreto na Conferência de Clima em Paris”, lamentou Timmers. 

O coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA), considera também grande a responsabilidade atribuída pelo papa à política internacional, às vésperas da COP21 – a Conferência das Nações Unidas para o Clima, que se reunirá em novembro deste ano.

“A encíclica papal vem em um momento oportuno para nós discutirmos as questões climáticas. É um momento de crise socioambiental, momento em que o aquecimento global começa a bater na porta de todo o mundo. No Brasil, temos o desmatamento na Amazônia que voltou a crescer”, alertou Sarney Filho.

De acordo com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), é necessário avaliar que tipo de progresso a sociedade quer: “se é o progresso que exige a exclusão dos pobres ou um que respeite a natureza e os seres humanos”. Ele entende que é preciso haver uma relação harmônica entre o desenvolvimento e o meio ambiente.

Sobre a encíclica papal, Cristovam destacou que é um documento importante que vai marcar as discussões políticas nas próximas décadas. 

Clarissa Presotti
Portal de Políticas Socioambientais
clarapresotti@gmail.com
http://www.portalambiental.org.br/pa/

 

 

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